sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Quando parar? Cap.11

Cap. 11
Eu não podia ver, tudo que eu sabia era que eu estava correndo. Corria em pânico. Minhas pernas quase se moviam só. Mas eu continuava. Meu corpo estava amarrado em uma sala escura, uma faixa de luz me ilumina, estou ajoelhada tem algo em minha boca, ele sorri com desdém. Ele aperta o gatilho um grito surdo ecoa em minha garganta.
Levantei em um impulso. John. Não acredito que depois de cinco anos ainda conseguira sonhar com ele.
Acordei antes de Oliver. E pelo que percebi antes de todos.
-Oliver. -chamei.
-Hmmm...?- se levantou imediatamente.
-Que dia é hoje.. Sei lá... segunda? -tentei controlar o pânico em minha voz. Mesmo morto, John me dava calafrios.
-Hmmm.. -eu disse pensando.
-Com fome?- tocou em meu rosto.
-Pode ser. -dei de ombros. Ele riu e se levantou.
Oliver me pegou no colo e levou até a cozinha, me colocando para sentar na cadeira perto de onde ele estava. Enquanto ele movia-se de um lado para o outro cozinhando eu estava um pouco longe.
-Dormiu bem?- perguntou colocando uma caneca de chocolate quente em minha frente.
-Hmm... é.. sim. -tomei um pequeno gole para não queimar a língua.
Ele murmurou qualquer coisa.
-Hmm.. sim. - disse contornando a boca da caneca com o dedo.
-Lis, você está bem?- ele falou claramente.
-Sim... por que?
-Perguntei se prefere sanduiche de patê de presunto ou de frango. E você me responde sim? - ele me encarava.
-Sim.. eu prefiro presundo - como a maioria das pessoas. Ele se sentou em minha frente.
-Desde que acordou você está um tanto silênciosa... está tudo bem mesmo?
-Sabe Oliver...-suspire- Todo mundo tem medo de alguma coisa... E hoje eu sonhei com algo que não me agradou muito.
-O que? -insistiu. Estremeci e ele percebeu erguendo a sobrancelha.
-John Reed. -tomei outro gole.
-Quem é esse? - ele colocou o patê no pão.
-Ele... bem... Jeremy não era fã dele e ele não era fã de Jeremy... -tentei parecer o mínimo disconfortável possível.- Acabou sobrando para mim. Por ser tão leal ao Jeremy ele quase me matou. Foi a pior fase de minha vida, eu diria. Ruim porque eu ainda estava na escola...Jeremy já era dessa área. -fiz uma longa pausa. -Eu e Andy, meu irmão, estavamos andando de noite... voltando depois de um filme. Foi quando aconteceu... ele me encurralou, meu irmão foi espancado até ficar inconsciente. E então, depois de me bater brutamente ele colocou uma arma em minha boca e disse que se eu tentasse gritar, aquele seria meu último suspiro.
-Mas você continuou. - afirmou com toda certeza do mundo. Assenti com a cabeça.
-Depois eles me levaram para o carro e John se aproveitou de mim... Quando voltamos para o beco, Andy ainda estava deitado, senti a arma bater em minha cabeça e apaguei. Acordei dois dias depois no hospital. -meus dedos circulavam a boca da caneca.
-O que aconteceu com ele? -perguntou empurrando o prato para mim.
-Fiz aula de tiros e defesa pessoal durante dois meses...Jeremy e eu estavamos um pouco afastados pelo ocorrido. -mordi um pedaço - Quando ele apareceu, me obrigou a contar o que havia acontecido para eu não falar mais com ele.
- E você disse?-ele tomou um gole do meu chocolate quente.
-Sim. Dois dias depois, Jeremy foi até o apartamento dele e o matou.-dei de ombros.
-Por isso tem medo? -suspirou.
-É... eu só tinha 16 anos. Não foi aceitável.- Dei de ombros.
-Isso ainda te abala.
-É como reviver seus próprios medos...você os apriziona para não sentir e acaba cometendo o erro de não libertar aquilo de dentro de você.
-Entendo. -acenou com a cabeça.
Continua...

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